quinta-feira, 23 de junho de 2011

Você. Nós.


Fim da tarde. O céu encontrava-se em um tom de azul indescritívelmente belo, mas, mesmo assim, conforme anoitecia, o azul ia escurecendo de forma cada vez mais linda. Indescritível dia. Indescritível noite. Talvez pelos tons de azul que o céu tomava lentamente, talvez pela brisa suave que mexia com as pequenas árvores acima de nós ou talvez pelo fato de minha cabeça repousar em seu colo macio, aconchegante e carinhoso. Sim, você. Suas mãos suaves que acariciavam meus cabelos, sob protestos de me deixar com sono. Você não se importaria se eu dormisse, não é mesmo? Isso porque simplesmente não deixaria de me observar. E rir do meu constrangimento, sem dizer uma única palavra. Seu olhar penetrante, indecifrável, em um tom de castanho tão escuro que me faz ficar imaginando uma noite sem lua ou estrelas, apenas o som do vento fazendo as folhas das árvores dançarem e pequenos vultos animalescos passando rapidamente. E em meio a essa floresta viva e obscura, você segura minha mão gelada com sua mão quente e firme. Esquenta minhas mãos, meu corpo, minha alma. Você sorri e não posso deixar de sorrir junto, pois muitos sorrisos me conquistam, mas poucos são capazes de me fazer sonhar, como o seu. Sinto vontade de abraçá-lo para sempre, mas você sempre me afasta. Eu fico brava, faço careta e o chamo de calango, mas então você se aproxima e beija meus lábios, meu pescoço, a ponta do meu nariz... E me abraça ainda mais forte. Sinto como se tudo no mundo tivesse me preparado para estar ao seu lado, mas eu ainda assim não estivesse pronta. Fico pensativa, você faz careta de desconfiança e quer saber o que é, então eu respiro fundo e explico. Explico o quanto tudo é inacreditável, como se fosse um sonho do qual eu tivesse plena consciência, mas que fizesse de tudo para não acordar, pois não queria enfrentar a realidade. Digo o quanto é incrível o fato de você ter estado ao meu lado todo esse tempo e eu nunca tê-lo visto de verdade. Quantas vezes eu o abracei? Quantas vezes conversamos até tarde? Quantas vezes ouvimos músicas russas juntos? Quantas vezes conversamos sobre músicas de outros países, que são as melhores? Quantas vezes rimos juntos? E eu nunca o tinha visto de verdade, até que alguém, a pessoa mais improvável do mundo, me sacudiu, gritou comigo, abriu meus olhos e ali estava você, olhando para mim tão pensativo e curioso que me deixou ansiosa. Era mentira, é claro. Só podia ser, mas... Você me mandava tantos sinais... Será que era mentira mesmo? Decidi não falar sobre isso e simplesmente deixar seguir. Você se aproximava cada dia mais. Cada minuto mais. Confusa, confusa, confusa. Desde o começo, você me confunde. Confunde minha mente, meus sentidos, minhas vontades. E passou a conversar mais, a estar mais presente, a me tocar mais... Não! Não quero, não posso, não está no momento certo! Não sou a pessoa certa! E todos fomos ao cinema. Nós chegamos primeiro, lembra? Chegamos juntos. Conversamos sobre coisas aleatórias até que alguém apareceu e a tensão no ar diminuiu. Dia divertido. Risadas, pipoca, filmes, broncas, abraços de saudade, dinheiro, bagunça e eu fugindo. Passei grande parte do dia longe de você, mas você se aproximava de forma irrecusável, até eu ceder. Fim do dia, último filme, pois era o fim do dinheiro. Sentamos lado a lado. Você segurou minha mão, fez eu deitar minha cabeça em seu ombro e ficou acariciando meu rosto. Lembro de ter me sentido tranquila e à vontade. Mordi sua mão e ambos rimos. Levantei e sentei direito na cadeira. Queria evitar aquele ar romântico e íntimo que surgiu, mas você se aproximou de novo e deitou em meu ombro. Quando o filme acabou, eu quis levantar, só que você me impediu e me fez deitar a cabeça em seu ombro de novo. Ficamos assim, juntos, vendo o letreiro do filme mais tedioso do mundo, até que nossos amigos começaram a xingar e nos tiraram de lá. Saímos todos rindo, compramos milkshake e decidimos ir embora. Para surpresa de todos, você disse que me acompanharia até a minha estação. Protestei, briguei, discuti. Era tarde, você não devia fazer aquilo. Mas somos lobos e lobos são teimosos demais. Você foi. Parecíamos um casal, mas não reparei nisso, estava ocupada demais tagarelando. Mesmo depois que chegamos onde tínhamos que nos separar, ainda conversamos por um bom tempo. Nos despedimos como dois bons amigos e nos separamos. Cada um para um lado. Meu coração martelava, como se quisesse que eu soubesse que ele ainda estava ali. Tratei de dar uma dura nele e voltei para casa. Semanas se passaram. Tudo parecia normal. Tudo estava normal, mesmo eu não indo à sua festa de aniversário. E assim foi até o dia em que você decidiu me acompanhar até a sala de aula. Era no primeiro andar, fomos juntos com duas amigas minhas até a escadaria e, do nada, você me jogou para dentro do elevador e me abraçou forte. Subimos um andar assim. Fiquei tão desnorteada que mal sabia o que fazer. Tentei agir naturalmente, mas era mais do que óbvio o meu abalo. Quando estávamos em frente a minha sala de aula, as meninas entraram e você me segurou, foi até a parede e me manteve abraçada com você. Comecei a tagarelar, é claro. Estava ansiosa e aquela proximidade estava me deixando tentada a beijá-lo. Precisava evitar. Você nos levou até o quinto andar, bebemos água, conversamos, voltamos e, então, desistiu. Nos despedimos e eu fui para a minha aula. Não consegui não pensar em você nos dias que se seguiram. E todos os dias você estava lá. E senti sua falta quando não apareceu. Não aguentei. Disse tudo o que sentia e pensava. Sempre soube que era errado, que não poderia dar certo, que eu acabaria magoando-o e que seria tudo muito mágico, pois a atração que sentia estava ficando incontrolável. Você riu, como sempre faz, e disse que deveríamos tentar, mesmo correndo o risco de eu explodir uma bomba atômica. Estamos tentando, está dando certo, o relógio está correndo e eu nunca me senti tão profundamente ligada a alguém. Você me ouve dizer tudo isso com tanta atenção que chego a me perguntar se estou falando asneiras, se estou sendo ridícula, se você está pensando no quanto sou boba. Mas, para minha total surpresa, você apenas sorri e concorda comigo. Diz que sempre se pergunta se está sonhando, mas que não se importa mais com isso, pois acha que é muito melhor aproveitar o sonho. E eu concordo com você. Mesmo que tenhamos que acordar algum dia, aproveitarei o máximo que puder enquanto estiver sonhando.

.Wolf.

Um comentário:

  1. Todo mundo nos via como um casal, menos a gente.
    xD
    Mesmo correndo o risco da explosão da bomba atômica, está valendo a pena. Cada dia que passa te amo mais, não quero nunca sair do seu lado, my little wolf. ♥

    D

    ResponderExcluir