segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Queda.


Às vezes, somos obrigados a tomar decisões que não queremos tomar. Só de imaginar as consequências de determinada decisão, dói profundamente. Machuca... Pensamos muito, muito, muito. Pensamos até a cabeça começar a doer. Não temos saída. Só que a ideia fere, como se estivesse rasgando nossa pele. Então, planejamos deixar quieto, esperar pelo milagre do tempo, ver o que acontece... Temos esperança... Sempre a bendita esperança... Mas ela não resiste e nós não conseguimos seguir em frente. Tudo conspira. Tudo demonstra como devemos fazer algo a respeito. As coisas parecem evoluir sempre para pior, nos empurrando para um penhasco íngreme, nos deixando sem saída ou escolha. Abaixo de nós, apenas o abismo de braços abertos. Esperando pela nossa alma. Sentimos apenas a vertigem do vazio que nos espera, o som abafado do nada, o medo da queda livre. Não, não há opção. Somos jogados para a escuridão sem qualquer chance de retorno. Sabemos que vamos nos arrepender, pois não pensamos o suficiente, que sangraremos sem parar, que as lágrimas formarão um novo oceano, mas fechamos os olhos... Preferimos não ver, porque acreditamos que não podíamos seguir outro caminho. Tentamos nos convencer... Nos deixamos envolver pelo vento, pela velocidade, pelas vozes acusadoras em nossa mente. Ansiamos pelo fim que nunca chega. Somos obrigados a congelar lentamente, a não sentir mais nada, a desejar coisas inalcançáveis ou impossíveis. Algumas coisas simplesmente não deveríam acontecer.

.Wolf.

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